A 3X4 TRAÇADA POR NIEMEYER.
O responsável por grande parte dos monumentos que definiriam uma nação, Niemeyer cria um novo modo Brasil em Brasília.
por Marcos Lula
Oscar Niemeyer, um gênio brasileiro de 102 anos, tem em sua história grandes laços com Brasília, foi autor de vários projetos na capital, ajudando no engrandecimento da mesma para com o exterior. Niemeyer venceu um desafio que muitos de sua área não aceitariam se quer tentar, contribuir na construção de uma capital federal que deveria ser construída em menos de cinco anos, e ter como resultado obras que se tornaram símbolos de uma nação.
Na teoria, optaria-se por formas simples, mais fáceis de serem planejadas e executadas, mas a prática se mostrou diferente, como por exemplo, nas colunas do Palácio da Alvorada, onde foram adotadas curvas, as quais, foram copiadas no mundo inteiro.
A arquitetura pode ser facilmente confundida com uma carteira de identidade das nações, onde o rosto cede lugar a morfologia do espaço, a morfologia figurativa ocupa um papel de destaque quando se trata da identificação perante o mundo, a do Niemeyer causa o efeito da beleza inesperada, conseqüência de uma boa arquitetura. No caso de Brasília, a arquitetura que recebeu um caráter ‘fantasioso’, abrindo espaço para a ousadia do arquiteto, trouxe como conseqüência a contribuição da popularidade da capital federal ao redor do mundo.

A relação do Juscelino Kubitschek (presidente responsável pela construção de Brasília) com o Niemeyer começou profissionalmente em Belo Horizonte, quando no início dos anos 40, Juscelino, então prefeito de BH pediu para que Niemeyer planejasse o Conjunto da Pampulha, a partir daí, o arquiteto encontrou no conjunto de curvas o seu estilo, e o futuro presidente, seu arquiteto.
Niemeyer é um exemplo de profissional que construiu um estilo em concreto firme, mantém sua linha de raciocínio e respostas para os mais diversos problemas e exigências com projetos que parecem se complementar, com “liberdade plástica”, tendo as curvas femininas como inspiração, executando obras onde faz com que o concreto armado aprenda a voar, contrariando leis da física.

Recebendo um salário de funcionário publico, o arquiteto chegou até a se juntar a alguns companheiros e dar entradas em empréstimos para não dificultar ainda mais a construção da nova capital. Ao lado de vários tipos de profissionais, desde os mais humildes até os que desempenhavam papeis mais intelectuais, presenciou choques de realidades que influenciaram na forma como a capital foi construída, com um espírito de companheirismo, visando um bem maior para todos, para a nação. Poesias sociais foram transcritas em concreto.
Brasília é a foto 3X4 do Brasil para o mundo, tivemos um time fantástico para a composição da fotografia, onde destaco Oscar Niemeyer, Lucio Costa e Joaquim Cardoso, que conseguiram fazer com que nossa imagem refletisse inovação, modernismo, funcionalidade, beleza e particularidade. Reflexo desviado pela frustrante atuação daqueles que nos representam como força administrativa, “ Agora tudo mudou, sentimos que a vaidade e o egoísmo aqui estão presentes e que nós mesmo estamos voltando, pouco a pouco, aos hábitos e preconceitos da burguesia que tanto detestamos”, passagem registrada em Minha Experiência em Brasília.
Fotos: Oscar Niemeyer Beth-Santos EPA/Corbis, Palácio da Alvorada Alan Weintraub Arcaid/Corbis e Brasília Bettmann CORBIS.
Marcos Lula (@marcos_lula), 18 anos, cursa o segundo ano do curso de Arquitetura na PUC-Goiás. Mantém um blog sobre arquitetura, clique aqui para acessar.
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