Brasília Quando Virgem.
A Brasília que não era Capital Federal. A Brasília habitada por trabalhadores vinculados há um ideal, por Marcos Lula.
O processo de formação de Brasília foi árduo e duro, cheio de luta, trabalho,muitas vezes os trabalhadores eram domados pelo cansaço ou até mesmo pela intolerância. Mas o que motivava isso era um espírito idealista que girava entorno da nova capital federal, então os meios foram facilmente justificáveis pelo fim nesse caso. Ao mesmo tempo haviam momentos de alegria, as obras estavam no prazo, além da satisfação com o projeto do Lucio Costa.

O Plano Piloto do Lucio Costa era justo, um carimbo pré moldado para a folha certa. Os volumes eram distribuídos de forma controlada. A divisão em relação aos Ministérios, que se sucedem em uma repetição disciplinada, a Praça dos Três Poderes que possuía uma atenção maior quanto as formas, assim como uma capital federal deveria ser, Brasília se transformava em uma capital sóbria e monumental, aos olhos de Niemeyer.
Niemeyer se viu várias vezes andando pelas obras em andamento e as vislumbrando prontas, tendo uma concepção muito positiva de todo o andamento, conseguia sentir a leveza dos edifícios e na forma como foram colocados no espaço, leveza essa que teve a contribuição do grandioso Joaquim Cardozo.
Se aproximando ao fim de sua jornada em Brasília, Niemeyer relata que em um único dia via senadores declarando seu entusiasmo quanto a nova capital federal, mas ao se virar, se deparava com o rancor de alguns congressistas apaixonados por reclamar, mesmo leigos, davam soluções disparatadas, agindo como se o Palácio do Congresso fossem suas casas, não um espaço com cargos transitórios.
Havia um desejo que as obras fossem puras, e que isso fosse aparente. Foi criado um formalismo, que não era apenas uma especulação plástica de elementos que compunham a arquitetura, a obra representava o “básico e funcional por excelência”. As vezes passando despercebidos, visavam alguns detalhes arquitetônicos que se repetem e acabam formando tópicos de um novo conceito, tendo como conseqüência a fuga das conveniências programáticas que os prédios de caráter administrativos deveriam sugerir.
Brasília antes de se tornar oficialmente a nova capital se parecia com uma ilha, a ilha perfeita perdida em um país cheio de negativas. Os trabalhadores eram tratados de forma igual, tinham momentos de confraternização, criaram um certo vínculo familiar entre si, as vezes até as roupas que usavam eram parecidas. Mas com a mudança da Capital para Brasília essa realidade rapidamente se apagou, e se tornou o que vemos hoje, uma cidade rica em edifícios e organização, uma verdadeira demonstração de fortes características plásticas, no entanto em muitos momentos bastante pobre quanto a valores humanos.
“Arquitetura sem compromisso com qualquer escola que a reduza a uma simples repetição. Arquitetura que desejamos funcional, mas antes de tudo, bela e criadora.” Assim Oscar Niemeyer resume sua concepção quanto a arquitetura de Brasília, no seu livro, “Minha Experiência em Brasília”.
Marcos Lula (@marcos_lula), 18 anos, cursa o segundo ano do curso de Arquitetura na PUC-Goiás. Mantém um blog sobre arquitetura, clique aqui para acessar.
Tags:brasília, capital federal, construção, estudante, marcos lula









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