Mostra Parallel Nippon

Fomos conferir a mostra “PARALLEL NIPPON Arquitetura Contemporânea Japonesa 1996-2006, que é uma iniciativa concebida para apresentar a arquitetura japonesa, está em exibição no Memorial de Curitiba. A mostra foi organizada pelo Instituto de Arquitetura do Japão e pela Fundação Japão.

Prada Boutique Aoyama 2003 do escritório Herzog & De Meuron e Takenaka Corporation. Foto de Nasaka&Partners Inc.
“Abrange um período de dez anos, que, para o Japão, representa a fase de transição da era da bolha econômica para a pós-bolha. Ela foi concebida para mostrar a realidade da arquitetura japonesa, que buscava desenhos criteriosos e inserção das demandas da época”. (SHUZO MURAKAMI)
“’Parallel Nippon’ é uma mostra organizada com finalidade de evidenciar os mecanismos da sociedade e sua relação com a arquitetura, apresentando obras arquitetônicas dos últimos 10 anos, construídas no Japão ou realizadas no exterior por arquitetos japoneses. O período abordado na presente edição é caracterizado pela fase em que a economia japonesa passa da era da bolha para era pós-bolha, e corresponde à época de mudanças estruturais da sociedade. Nesse período, ocorreram também mudanças na política pública, saindo do modelo urbano do século 20, representado pela expansão das cidades, para o modelo do século 21, de cidades sustentadas, aproveitando com eficácia os patrimônios construídos ao longo dos anos e rumando para novas direções em busca da criação de novos valores.
Evidentemente, as visões idealizadas para sociedade e experimentadas nesse período foram completamente distintas na área metropolitana de Tóquio e em áreas regionais. A capital japonesa optou pelo caminho de ser uma metrópole conectada diretamente como o mundo, como convém na era globalizada, enquanto cidades regionais perseguiram o modelo de núcleos regionais simples e compactos que agregam a comunidade local, como se estivessem lutando contra seu esvaziamento. As expressões arquitetônicas também são contrastantes: opondo-se às obras culturais gigantescas e vistosas, desejando ser o “n° 1” do mundo, surgem centros comunitários regionais com cuidado nos mínimos detalhes e destinados para idosos e migrantes retornados.” (RIICHI MIYAKE, professora titular de História da Arquitetura da Universidade de Keio)

Nagoya University Noyori Materials Science Laboratory and Noyori Conference Hall por IIdda Archiship Studio
A mostra é dividida em quatro seções: Cidade, Vida, Cultura e Moradia. Começaremos por Moradia “que é a unidade básica de sobrevivência e reflete diretamente a cultura e os hábitos de seus moradores. Para conhecer o ambiente habitacional do Japão, é preciso considerar que 120 milhões de habitantes se concentram em uma pequena área que corresponde a 1/3 do território nacional, que a estrutura urbana construída no período EDO se sobrepõe à expansão para a periferia ocorrida a partir de meado do Período Meiji, e que as habitações de elevadas densidade se amontoam sobre lotes ínfimos. São fatos que pressionaram para cima o valor dos imóveis, gerando uma situação em que o preço do terreno é bem superior ao da construção. A durabilidade média das habitações é de 26 anos, bem menor em comparação a 75 anos da Inglaterra, e a causa principal disso não é uma questão técnica, mas decorre do valor de hipoteca da construção que, no caso de construções em madeira, torna-se zero em 20 anos. Por muitos anos, predominou no Japão habitações individuais de madeira, mas, influenciados pela construção de conjuntos habitacionais de administração pública, que acompanhava o processo de recuperação das cidades após a Segunda Guerra Mundial, surgem finalmente nos anos de 1960, as habitações coletivas da iniciativa privada. Habitação coletiva é um fenômeno relativamente recente no Japão e, mesmo na época atual, essas habitações ainda são de segunda geração.

House Surgery de Katsuhiro Miyamoto & Associados, está na cidade de Takarazuka-shi na província de Hyogo. A reforma foi em 1997.
O grande terremoto de Hanshin-Awaji, ocorrido em 1995, roubou a vida de 6300 pessoas. Posteriormente, as cidades foram recuperadas rapidamente e suas cicatrizes desapareceram. Mas, Katsuhiro Miyamoto, arquiteto residente em Kobe, resolveu recuperar sua casa natal, avaliada com “perda total”, ressuscitou-a inserindo uma estrutura de ferro na estrutura de madeira, e transformou o imóvel em um escritório de arquitetura. A “Zenkai House” é uma arquitetura que deixa à mostra os ferimentos dolorosos sofridos, na qual o gesso para a cura da fratura não pode ser removido. Miyamoto chamou atenção também na Bienal de Arquitetura de Veneza realizada em 1996, por ter levado escombros do terremoto para o pavilhão japonês.

S-TUBE de Arata Naya está na cidade de Chigasaki na província de Kanagawa, foi reformada em 1999.
A “S-TUBE” de Naya Arata é um exemplo de reforma e ampliação de casa pré-fabricadas construídas em 1973. É sua casa natal, e a opção foi não demolir. Na reforma, foram incorporados à estrutura original de ferro tubulares de madeira, que chegavam a ter 12 metros. O resultado foi uma sala longitudinal composta seqüencialmente por: escritório, refeitório e lareira. No Japão, a prática da demolição e construção é intensa e, mesmo livre de terremoto, a substituição das edificações ocorre depois de 30 anos aproximadamente. A “S-TUBE” é um protesto a esse tipo de prática.
Fonte: Parallel Nippon – Arquitetura Contemporânea Japonesa 1996-200, Japan Foundation.
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