Pontes
por André Romitelli
Olhos ardendo, boca seca, dor de cabeça, corpo cansado. Nada como uma noite mal dormida. Muito dificilmente seu dia vai render o mesmo tanto que renderia caso você tivesse dormido oito horas.
Mas a entrega do trabalho de projeto ou representação gráfica é pra amanhã, avançando noite adentro, esquecendo os limites do corpo e da mente que um dia existiram. Afinal, pra que dormir se agente pisca? Com esse raciocínio, os estudantes de arquitetura estão sempre exaustos e muito atarefados, mas, mesmo com olheiras fundas todo dia, viciados nisso tudo!

- © Frank Muckenheim/Westend61/Corbis

Tem que ter muito jogo de cintura para levar tudo isso na brincadeira, mas essa constante falta de tempo revela o maior defeito de muitas escolas brasileiras de arquitetura: o currículo educacional. Os cursos contemplam muitas matérias por semestre, o que, claro, tem suas vantagens; mas, a entrega de trabalhos, muitas vezes coincidentes, leva os alunos a exagerar na falta de sono como único meio de entregar tudo a tempo. Além disso, existe a discussão que essa ampla variedade de matérias impede que o aluno se aprofunde em uma específica, recebendo assim, um ensino superficial de vários temas, evitando assim o aprofundamento nas matérias, possível muitas vezes somente na pós-graduação.
Cada aluno dá seu jeitinho de se manter acordado para atender todas as necessidades da faculdade. A maioria segue para o bom e velho café, passado a qualquer hora do dia, com açúcar ou adoçante, ou ambos; tem os adeptos das bebidas energéticas, que no meu caso produzem o efeito inverso; os “naturebas” não abrem mão do pó de guaraná; e ainda tem os mais modernos com suas cápsulas energéticas. O que acontece de fato é que aluno de arquitetura parece estar sempre cansado. Mas não poderia ser diferente! Como dito no post anterior, a arquitetura é um vírus que contamina e não tem cura. Agora que você está contaminado, não há nada que possa fazer, serão dias inteiros com esse olhar ligado no mundo ao seu redor, e noites com a mente tentando organizá-lo.
É essa vontade de organizar o mundo que nos une. Arquitetamos desde jovens planos para isso, e finalmente, na faculdade, as ferramentas se tornam cada vez mais concretas; projetamos nosso futuro e, a partir dessa planta tão sublime, erguemos as pontes para sustentar e estreitar os elos que unem todas as pessoas do mundo. Por que não sonhar em um mundo melhor? Por que não corremos esse risco? Vamos tirar o pó das gavetas, e organizar esse mundo que está de pernas para o ar.
Tags:André Romitelli, arquitetura, curso de arquitetura, jovens estudantes, o novo









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Ouso dizer que esse comportameto é típico de boa parte dos alunos de nível superior de uma infinidade de cursos. Mas é como você disse, quando se faz o que se gosta, as pessoas nem percebem.
Oi!!!!!! Seu blog está bem legal. Eu pretendo fazer Arquitetura mas estou lendo coisas terríveis sobre o curso e gostaria de saber se são verdades. Gostaria de conversar melhor com vc, via msn por exemplo. Pode ser??? Bjinhos!!!!
Meu orkut eh esse aqui camileghotyka@gmail.com
Oi Camile,
a pessoa mais indicada para você bater um papo é o nosso colunista/estudante André Romitteli que está cursando arquitetura.
Vou pedir a autorização dele e envio o email de contato.
Abraço